No início de agosto fomos ao ortopedista - doutor Paulo Roberto Moulin - ainda com as ultrassons em mãos, para que ele confirmasse a suspeita e nos passasse informações, tirasse dúvidas...
-Sim, é pé torto sim. Foi o que ele disse ao ver as imagens.
A partir daí começou a nos explicar que o tratamento consistiria de sessões semanais de gesso, que poderiam durar de 4 a 6 semanas, uma possível cirurgia e após isso tudo, o uso de um aparelho nos pés até Miguel completar 4 anos. E disse ainda que deveríamos voltar, já com o bebê nos braços, quando ele tivesse 4 semanas de nascido, para darmos início ao tratamento.
Miguel nasceu no final de agosto, dia 27 (uma experiência que vale uma postagem especial! rs) e no dia 23 de setembro, a poucos dias de completar 4 semanas de nascido, o levamos ao doutor. Estávamos eu, Gilberto e minha mãe, Ione.
Lá ele observou os pés, manipulou, e disse que pela experiência dele seria fácil colocá-los na posição ideal com os gessos. Nos pediu alguns raio x (da bacia, das pernas e dos pés, se não me engano) e já deu uma requisição para que o plano de saúde autorizasse a primeira colocação de gesso.
Fizemos os raios X. Conseguimos a autorização.
Como mãe "recém-nascida", eu estava me sentindo um lixo naquele dia.
Eu queria estar em casa com meu bebê, mas precisava estar lá, em uma sala fria, ajudando o médico a segurar firme suas pernas e pés para que o raio x fosse feito. Foi a primeira vez que precisei vê-lo chorando sem poder fazer absolutamente nada para ajudá-lo (não imaginava que seria apenas a primeira de muitas).
Acredito que nós três estávamos com um nó na garganta. Minha mãe, apesar de já ter tido 3 filhas, nunca teve que passar por situações como essa. Gilberto precisava se manter firme, nem que fosse apenas exteriormente, para nos ajudar a segurar a barra. E eu... Eu estava apavorada, mas sentia que não deveria abrir a cara a chorar porque Miguel estava ali, ao meu lado, deitadinho, e ele já tinha passado por tanta coisa em um dia só, que eu deveria ter um sorriso para ele, mesmo que ele não compreendesse ainda o valor de um sorriso em momentos difíceis.
Minha cabeça estava a mil quando me veio um pedacinho de um verso bíblico, que dizia "Seja forte e corajoso." Apenas isso, apenas esse pedaço.
Chegando em casa procurei na bíblia o complemento do verso. E encontrei.
"Não fui eu que ordenei a você? Seja forte e corajoso! Não se apavore nem desanime, pois o Senhor, o seu Deus, estará com você por onde você andar." - Josué 1:9
Já posso adiantar que sim, Deus cumpriu sua promessa conosco!
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