Sabe, andar pela rua com o bebê usando a órtese não é uma tarefa fácil, especialmente pelos olhares curiosos e pelos comentários de espanto de alguns. Meu marido tem muita paciência para explicar sobre todo o problema, o tratamento, a situação atual dos pés do Miguel... Mas eu não. Na maioria das vezes não gosto de explicar para estranhos o porque de ele usar a bota com o ferro no meio, que a usa para dormir, de que a usará até os 4 anos de idade, e ainda, ao final ainda ouvir um "tadinho, deve incomodar né?" Mas mesmo assim saio numa boa com ele, o levo aonde vou e preciso ir, e se estiver no horário de usar a órtese, vai com ela mesmo!
E eis que em uma bela noite, no Rio de Janeiro, mais precisamente em São Gonçalo, estávamos caminhando pela calçada do Supermercado Guanabara, após umas comprinhas. Eu e minha mãe estávamos com Miguel e sua botinha, e duas primas da minha mãe, Cidinha e Inês. Inês levava Miguel no colo, mas com o rosto dele virado pra frente, olhando para a rua.
Enquanto encontrávamos nossa carona para casa, um carro para no sinal vermelho, perto de onde estávamos, e uma criança, que estava com a cabeça para fora da janela, de dentro do carro fala bem alto com seu pai, em tom de espanto, alegria e muito entusiasmo:
- Pai!!!!!!!!!!!!! Olha!!!! Um bebê de Skate! Pai!!!!!!!!!!!!!!! Tem um bebê andando de Skate na rua!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Dá pra imaginar nossa reação na hora, não é?! Caímos na gargalhada! Rimos muito e até nos emocionamos com a imaginação e a inocência daquele menino que viu Miguel e sua órtese de uma forma muito diferente da maioria das pessoas... Ele o viu como um bebê prodígio, que já anda de Skate!
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