Uma das maiores felicidades vividas por pais de bebê é perceber seu desenvolvimento, a evolução de seus movimentos... Vê-lo ficando de bruços, se arrastando de barriga, e logo engatinhando... E junto a essa evolução, vêm novos perigos...
Era uma noite de sábado e fomos dormir na casa da minha mãe, já que Gilberto estava viajando a trabalho. Lá, coloquei Miguel para dormir na cama dela. Como precaução, fiz uma barricada de travesseiros à sua volta (quem nunca?). Ele estava sendo devidamente mantido longe do chão... Será?
Enquanto ele dormia, sentamos na sala. O cômodo é longe do quarto, e de tempo em tempo uma de nós ia lá para vê-lo, e ele estava sempre dormindo. Mas antes de uma das rondas, ouvimos um gritinho seguido de um choro. Fui correndo ver o que tinha acontecido. Chegando lá, Miguel estava no chão, de bruços. Como já não chorava, achei que estivesse tudo bem.
Mas quando o peguei no colo, percebi que ele tinha "engolido o fôlego".
Fui ao banheiro, na intenção de molhar a mão e passar no rosto dele, como minha sogra me ensinou, para casos como esse. Ao molhar a mão e voltar a olhar para ele, percebi que saía sangue de sua boca, e agora ele já estava chorando novamente.
Eu entrei em desespero, e não conseguia parar de pensar e de falar, aos prantos, "Por que isso aconteceu? Eu cuido tão bem dele... Eu deveria tê-lo protegido da queda..." Nesse momento, minha mãe tentava me tranquilizar, dizendo "isso acontece com criança mesmo, é assim mesmo, não foi culpa sua... Você não teve culpa..."
Miguel já tem dentes desde os 5 meses. Nesse dia, ele já estava com 8 dentinhos, então entrei em desespero, pensando que poderia ter arrancado algum dente durante a queda, e isso teria provocado o sangramento. Com as mãos trêmulas, cheia de medo, me sentindo impotente, verifiquei os dentes, e estavam bem. Na verdade, o lábio superior havia sido cortado pelos dentinhos.
Depois de alguns minutos ele parou de chorar e quis mamar. Mamou normalmente, então deduzimos que estava tudo bem, já que o corte não o atrapalhava naquele momento. Logo ele voltou a dormir. Já eu, não preguei os olhos naquela noite.
Dormimos juntinhos, como é de costume. Eu o observava atentamente, na expectativa de que ele demonstrasse dor ou incômodo, ou mesmo tivesse sonhos ruins por causa da queda. Mas não, não houve nada diferente naquela noite. Ele dormiu tranquilamente.
Enquanto ele dormia, eu fica olhando pra ele, e pensando em tudo, pensando aonde foi que eu tinha errado... E foi aí que cheguei a uma conclusão. Na verdade, foi a primeira lição que aprendi como mãe: "NÓS, PAIS E MÃES, NÃO PODEREMOS PROTEGER NOSSOS FILHOS DE TUDO." Na verdade, acho que não podemos protegê-los de praticamente nada!
Demorei a aceitar isso. Levei a noite toda pensando e repensando no ocorrido e na lição que eu havia tirado... Fazemos o melhor que podemos para nossos filhos, nos doamos a eles, mas não poderemos protegê-los da maioria dos problemas/ perigos/ aborrecimentos da vida.
Acredito que como pais e mães, temos o direito e a obrigação de alimentá-los, vesti-los, instrui-los, ajudá-los a tomar decisões, ensiná-los a assumir responsabilidades e estarmos presentes. Mas mesmo assim, uma hora ou outra, ficarão doentes, ou se machucarão, ou arrumarão briga com colegas, ou se decepcionarão...
E a nós, caberá estar ali, com o vidrinho do remédio que precisam tomar, com os braços abertos... O beijinho que tudo sara preparado, as mãos molhadas, para fazê-los recuperar o fôlego... O ombro amigo, as palavras certas na hora certa, ou apenas com nosso silêncio...
Ou simplesmente estaremos ali para pegá-los no colo, embalarmos de um lado para o outro, e fazendo "shishishi" no ouvido, enquanto se acalmam e dormem.
No dia seguindo ao tombo ele acordou sorridente, apenas com o biquinho inchado!
Era uma noite de sábado e fomos dormir na casa da minha mãe, já que Gilberto estava viajando a trabalho. Lá, coloquei Miguel para dormir na cama dela. Como precaução, fiz uma barricada de travesseiros à sua volta (quem nunca?). Ele estava sendo devidamente mantido longe do chão... Será?
Enquanto ele dormia, sentamos na sala. O cômodo é longe do quarto, e de tempo em tempo uma de nós ia lá para vê-lo, e ele estava sempre dormindo. Mas antes de uma das rondas, ouvimos um gritinho seguido de um choro. Fui correndo ver o que tinha acontecido. Chegando lá, Miguel estava no chão, de bruços. Como já não chorava, achei que estivesse tudo bem.
Mas quando o peguei no colo, percebi que ele tinha "engolido o fôlego".
Fui ao banheiro, na intenção de molhar a mão e passar no rosto dele, como minha sogra me ensinou, para casos como esse. Ao molhar a mão e voltar a olhar para ele, percebi que saía sangue de sua boca, e agora ele já estava chorando novamente.
Eu entrei em desespero, e não conseguia parar de pensar e de falar, aos prantos, "Por que isso aconteceu? Eu cuido tão bem dele... Eu deveria tê-lo protegido da queda..." Nesse momento, minha mãe tentava me tranquilizar, dizendo "isso acontece com criança mesmo, é assim mesmo, não foi culpa sua... Você não teve culpa..."
Miguel já tem dentes desde os 5 meses. Nesse dia, ele já estava com 8 dentinhos, então entrei em desespero, pensando que poderia ter arrancado algum dente durante a queda, e isso teria provocado o sangramento. Com as mãos trêmulas, cheia de medo, me sentindo impotente, verifiquei os dentes, e estavam bem. Na verdade, o lábio superior havia sido cortado pelos dentinhos.
Depois de alguns minutos ele parou de chorar e quis mamar. Mamou normalmente, então deduzimos que estava tudo bem, já que o corte não o atrapalhava naquele momento. Logo ele voltou a dormir. Já eu, não preguei os olhos naquela noite.
Dormimos juntinhos, como é de costume. Eu o observava atentamente, na expectativa de que ele demonstrasse dor ou incômodo, ou mesmo tivesse sonhos ruins por causa da queda. Mas não, não houve nada diferente naquela noite. Ele dormiu tranquilamente.
Enquanto ele dormia, eu fica olhando pra ele, e pensando em tudo, pensando aonde foi que eu tinha errado... E foi aí que cheguei a uma conclusão. Na verdade, foi a primeira lição que aprendi como mãe: "NÓS, PAIS E MÃES, NÃO PODEREMOS PROTEGER NOSSOS FILHOS DE TUDO." Na verdade, acho que não podemos protegê-los de praticamente nada!
Demorei a aceitar isso. Levei a noite toda pensando e repensando no ocorrido e na lição que eu havia tirado... Fazemos o melhor que podemos para nossos filhos, nos doamos a eles, mas não poderemos protegê-los da maioria dos problemas/ perigos/ aborrecimentos da vida.
Acredito que como pais e mães, temos o direito e a obrigação de alimentá-los, vesti-los, instrui-los, ajudá-los a tomar decisões, ensiná-los a assumir responsabilidades e estarmos presentes. Mas mesmo assim, uma hora ou outra, ficarão doentes, ou se machucarão, ou arrumarão briga com colegas, ou se decepcionarão...
E a nós, caberá estar ali, com o vidrinho do remédio que precisam tomar, com os braços abertos... O beijinho que tudo sara preparado, as mãos molhadas, para fazê-los recuperar o fôlego... O ombro amigo, as palavras certas na hora certa, ou apenas com nosso silêncio...
Ou simplesmente estaremos ali para pegá-los no colo, embalarmos de um lado para o outro, e fazendo "shishishi" no ouvido, enquanto se acalmam e dormem.
No dia seguindo ao tombo ele acordou sorridente, apenas com o biquinho inchado!
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